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Surplus: Terrorized Into Being Consumers – Reunião 19/02/2011

01/04/2011

O que é o consumismo?

Começamos nossa 11ª reunião com um tema que afeta o cotidiano de todas as pessoas do globo: o consumismo. De tibetanos à norte-americanos, aquilo que hoje é visto como o consumo exacerbado de mercadorias, serviços e ideologias influencia diretamente nossos estilos de vida e ideologias. Tratar do ‘consumo’ não foi uma questão fácil. Há uma grande variedade de perspectivas e abordagens que figuram em obras famosas como ‘O Capital’ à documentários como ‘Surplus’, (que tivemos a oportunidade de assistir em nossa reunião). Pode-se dizer que há um consenso de que o consumo está diretamente atrelado à uma cadeia de valores e ideologias para dar significado à vida das pessoas por meio de processos comerciais.


No entanto, se levarmos em consideração somente este aspecto, podemos incorrer nos erros típicos do ‘senso comum’, como o reducionismo, em relação ao que é o consumo, seja ele em dimensões práticas ou até mesmo teóricas. Pois bem, certamente nossa intenção durante a reunião não era de abarcar no senso comum. Ao explorarmos o documentário pudemos aprofundar a discussão e identificar o quão estreita é a formação dos símbolos do consumo e a produção de significado a esses símbolos.

Para analisar melhor essa e outras questões, nossa discussão inicial partiu de experiências próprias dos membros Alison, Alexandra, Thais e Sylvio – sendo que coube a cada membro presente revelar suas percepções de como o consumo era identificado em seu cotidiano.

Experiências pessoais

O debate começou exatamente pelo cerne da questão: eu compro, tu compras e, sim, nós compramos! Não há quem negue a ‘tentação’ que pode representar o consumo em seu  dia-a-dia. O grupo ficou atento a essa questão e deu contribuições importantes para entendermos tanto o fetiche da mercadoria como o relacionamento estreito com a construção de status do ‘possuidor’. Há apelos em marketing que interpretam muito bem esse relacionamento, como a propaganda apresentada pela empresa de Telecomunicações ‘Oi’ e seu mote ‘O ligador’. É fato que o marketing se encarrega de fomentar o consumo com estímulos vinculados à ascensão (ou rebaixamento) de status e sua repercussão em meio social. Entretanto, qual seriam os efeitos que recairiam sobre o principal elo dessa cadeia, o indivíduo?

Na pratica, a consciência desses efeitos são revelados em experiências próprias. Em uma resposta perspicaz, Alexandra revela o quão sua vivência e diz:

 

 

 

 

 

 

Eu olho as coisas e eu quero. Já comprei muito. Mas vi que não me sentia plena. Percebi também que valia a pena economizar, principalmente quando precisei comprar um carro.

 

Certamente não é  uma tarefa simples saber controlar a propulsão ao consumo. É como se lidássemos como um contrassenso, pelo qual se poupa para futuramente poder se consumir mais. Foi isso o que Alexandra se propôs ao economizar em gastos corriqueiros para poder aumentar seu padrão de consumo, culminando com seu novo carro. Thaís, sagaz em seus questionamentos eleva a discussão para um novo tópico: Em que ponto ‘consumismo’ e consumo consciente se separam? Tivemos então a resposta com a constatação da Alexandra de que “consumir menos me fez alcançar objetivos maiores e mais essenciais”.  Thais, adepta da filosofia difundida pela Seicho-no-ie apregoa que “tenho facilidade para economizar, mas nem ‘oito nem oitenta” – demonstrando seu ponto de equilíbrio em seu cotidiano. Alison corrobora a discussão ao afirmar que “tudo o que é demais não é correto, pode não fazer bem”. Como podemos perceber, é tênue a linha que divide o consumismo de seu primo equilibrado, o consumo consciente. Satisfeitos com o andar da discussão, o debate volta para o documentário e, principalmente, na apresentação nada tênue dos argumentos ‘anticonsumo’ apresentados.


Tendencioso ou apenas informativo,  o documentário apresentou inúmeras informações que nos levam a acreditar nos efeitos negativos do consumo exacerbado. A percepção do grupo direcionou unanimemente para o denominador comum de que os argumentos eram tendenciosos. Podemos exemplificar a tática argumentativa do documentário como a ‘argumentação holofote’, ou seja, àquela que secciona uma determinada linha de raciocínio (anticonsumo) e obscurece as demais. Ainda que fossem apresentadas argumentações contrárias, o saldo final sempre tendia à essa mesma tática. Atentos à essa questão, o grupo optou por compreender o documentário como uma forma midiática (talvez de choque) restrita em seu tempo e espaço – ou, em outras palavras, reconhecendo o poder argumentativo do filme sem alusivamente ‘comprar’ as ideias apresentadas.

Símbolos de consumo

Falar em consumo e não falar nas ideologias que constroem essa ‘necessidade’ dos tempos modernos é o mesmo que rememorar a décadas anteriores e deixar de citar grandes ícones do tempo, como o Rock-and-Roll, MC Donald e toda a cultura hegemônica do American Way Of Life. Viu só? Até mesmo para fazer uma analogia esse autor utilizou-se da cultura hegemônica do consumo. É relativamente fácil identificar esse padrão difundido pelos norte-americanos. Alison retoma o debate ao afirmar que “Nunca entrei no MC Donalds”. Embora sua frase possa parecer uma atitude extrema, ela nada mais é do que fruto da consciência de que muitos hábitos e costumes não são próprios, mas, sim, importados.

A celebre frase de “Amo muito tudo isso” é recebida por muitos como uma imposição, inclusive para o nosso debatedor Alison. Segundo ele, “O maior estimulo do consumo é a propaganda. E os adolescentes estão mais fadados à propaganda. Ela diz a você: coma mais, compre mais!”. Segundo a Alexanda, a causa pode estar em um estado de ‘alienação’ em que “cada vez mais os jovens leem menos e entendem menos o que acontece em sua realidade”. É nítido o apelo feito à essa faixa etária. Tanto que no Brasil a discussão gerou um projeto de lei polêmico a respeito da proibição de propagandas destinadas ao público jovem / infantil. Minha contribuição nesse aspecto foi de apontar que essa proliferação da identidade e padrões de consumo norte-americanos vem de longa data:

‘Nos Estados Unidos há uma construção ideológica de que você deve consumir a todo custo. O Crash da bolsa de 1929 provou os limites a que essa ideologia pode levar com a consequente formação de uma legião de trabalhadores que se tornaram bêbados ou suicidas.

 

 

O grupo, após um extenso debate pode perceber que há um círculo vicioso para preenchimento de significados para a espiral de consumo. Pelo qual acreditar e comprar valores se interlaçam diretamente com o cotidiano, em uma espécie de reprodução automática e inconsciente de ‘consumismos’ e modismo. Qual seria o fim disso?

Alison institivamente esquenta o debate ao utilizar a indústria da moda como exemplo: “Para que existe a moda? Para a indústria ganhar em escala. Todos vestidos com um modelo único”. Há investimentos em propaganda em cima dessa ideia, principalmente para adolescentes devido à necessidade de homogeneização e inserção em grupo. Um apelo irresistível para saciar a constante de aceitação em um grupo com uma determinada identidade. Novamente, uma construção de valor e de status- ainda que em grupo.

Com discussões mais aprofundadas, o tom do debate aproximou-se de questões metafisicas e mais experiências pessoais que enriqueciam a discussão. Como Consumismo Social e de Informação.

O grupo terminou sua décima primeira reunião com um ar de satisfação. Haviam todos encontrado o consenso de que o equilíbrio, conforme sugeriu Thais, tornava-se a melhor opção a se buscar em nosso cotidiano de shoppings, mercados e lojas.

 

Promoção: Só AMANHÃ! Alexandra, Thaís, Sylvio e Alison, pela metade do preço, mas é só AMANHÃ MESMO!

Essa reunião foi realizada no dia 19/02/11 ás 13h na UNESP de Marília. Mas, desta vez, em uma sala mais aconchegante com direito a projetor. Sim, com as benesses do ‘consumo’.

Estiveram presentes: Alexandra Vaccari, Alison MacMoraes, Sylvio Henrique e Thais A. Juliani.

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Mas o debate não precisa terminar!!! COMENTE, e inclua seu ponto de vista ao nosso. Conhecimentos sempre podem ser aprimorados!!

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Surplus: Terrorized Into Being Consumers – Produção de Arte

22/02/2011

A nova temática dos Iluministas evidenciará o consumismo e suas grandes mazelas, propondo ao grupo uma nova forma de pensar sobre o nossa própria cultura de consumo.

Desta forma, a Produção de Arte se incube de ilustrar o tema evidenciando um estilo artístico contemporâneo, repleto de cor, forma e marketing.

A Pop art (ou Arte pop) é um movimento artístico surgido na década de 1950 no Reino Unido e nos Estados Unidos. Nas décadas de 60 e 70 ocorre o ápice do movimento, cuja figura de maior destaque foi o americano Andy Warhol. O termo foi cunhado em 1956 pelo crítico britânico Laurence Alloway. A Pop art propunha que se admitisse a crise da arte que assolava o século XX e pretendia demonstrar com suas obras a massificação da cultura popular capitalista. Procurava a estética das massas, tentando achar a definição do que seria a cultura pop, aproximando-se do que costuma chamar de kitsch. Diz-se que a Pop art é o marco de passagem da modernidade para a pós-modernidade na cultura ocidental.

Theodor W. Adorno e Max Horkheimer, nos anos 20, cunharam o termo Indústria cultural. O conceito analisa a produção e a função da cultura no capitalismo e relaciona cultura como mercadoria para satisfazer a utilidade do público. Em meados da década de 60 os artistas, por sua vez, defendem uma arte moderna, irreal, que se comunique diretamente com o público por meio de signos e símbolos retirados do imaginário que cerca a cultura de massas e a vida cotidiana. A defesa do popular traduz uma atitude artística adversa ao hermetismo da arte moderna. Nesse sentido, esse movimento se coloca na cena artística como um dos movimentos que recusa a separação arte/vida. Com o objetivo da crítica irônica ao bombardeamento da sociedade capitalista pelos objetos de consumo da época, ela operava com signos estéticos de cores inusitadas massificados pela publicidade e pelo consumo, usando como materiais principais: gesso, tinta acrílica, poliéster, látex, produtos com cores intensas, fluorescentes, brilhantes e vibrantes, reproduzindo objetos do cotidiano em tamanho consideravelmente grande, como de uma escala de cinquenta para um, transformando o real em hiper-real.


A Pop Arte vai buscar na publicidade e comerciais ícones para simbolizar esta arte produto que ela diz que a massa deve consumir. Nenhum ícone seria mais representativo que a marca que se tornou maior representante do marketing publicitário, a Coca-Cola. A garrafa, a marca as cores, e toda arte de seus comerciais e de sua imagem como um todo serviu de símbolo e diversos artistas da pop arte fizeram sua arte uma coca-cola a ser consumida. E também ela dá forma ao símbolo de nossa temática.

Fonte: Wikipédia


Surplus: Terrorized Into Being Consumers – Resumo

20/02/2011

Longe de ser apenas uma crítica ao consumismo ou a sistemas políticos, Surplus, documentário sueco, dirigido pelo italiano Erik Gandini em 2003,  é um olhar sobre o jeito de ser e de viver da humanidade. Largamente divulgado pelaInternet, este trabalho coloca em discussão não apenas a vida em sociedade e a ordem estabelecida, como também a própria essência humana.

As necessidades dos homens, as maneiras de reagir a elas e as formas de controle social acabam por comprometer todo o ecossistema terrestre, sem exceção às relações humanas. Nenhuma discussão está mais na ordem do dia do que o equilíbrio socioambiental e ainda antes de  Davis Guggenheim e seu Uma Verdade Inconveniente (2006), Gandini levava o tema às últimas conseqüências. Surplus mostra que tanto no capitalismo, como no socialismo, os homens tomam parte de sistemas cuja existência os antecede, mas que estabelecem modos de viver e de pensar, mantendo-os atados, como peças de um jogo maior, cuja função é a manutenção da ordem estatal.

Assim, saem de foco os sistemas político-econômicos em si. Os holofotes são direcionados para aquilo que os sustenta. O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, Steve Ballmer e Bill Gates, executivos da Microsoft, aparecem defendendo a ideologia neoliberal, o capitalismo, o consumismo. Por outro lado, Gandini enfoca o modo de vida socialista, instalado em Cuba por Fidel Castro que surge defendendo sua ideologia não consumista. São dois sistemas opostos, porém ambos se utilizam dos meios de comunicação para divulgar mensagens que patronizam pensamentos, subjulgando corações e mentes, transformando indivíduos em parceiros que garantem a manutenção dos sistemas.

Fazendo analogia à influência da indústria cultural e à forma como é utilizada a linguagem midiática, Gandini adota o ritmo dos vídeo clips. Mescla cenas de palestras, discursos, entrevistas e reportagens jornalísticas em uma edição onde imagens se alternam em sintonia com a trilha sonora de sons eletrônicos. Imagem e ritmo se complementam em uma mistura que soa moderna e revela a intenção do diretor. Ele usa o próprio meio (áudio e vídeo) para chamar a atenção para o poder da mídia, disponível aos governos ou às corporações que ditam ideologias e comportamentos.

Por outro lado, se o discurso utilizado pelos capitalistas também sai da boca dos socialistas, tudo acaba no mesmo. E este “tudo” se refere à relação entre dominadores e dominados. A visão pessimista de Gandini se resume em: o homem é um ser de necessidades, na busca por satisfazê-las criou formas de organização social e, no interior delas, desenvolveu formas de dominação que mantém tudo e todos atrelados à ordem estabelecida, seja consciente ou inconscientemente. O sistema que exaure os recursos naturais, que beneficia os países desenvolvidos e cede aos países do terceiro mundo seus restos é criação dos homens e se mantém por cooperação deles. É um soco na boca do estômago de quem acha que não tem nada a ver com isso!

John Zerzan (o anarquista norte-americano que ganhou destaque a partir da década de 1980), e sua proposta fundamentada no retorno ao primitivismos caem no vazio diante da livre servidão humana a suas próprias necessidades. Gandini reafirma Freud que entende o homem como um ser “fadado à insatisfação”, pois está sempre buscando, sempre à procura sem nunca se complementar.

Ao retornar ao primitiviso o homem retomaria o anseio pelo desenvolvimento, e possivelmente, à sistemas de controle social, aos conflito de classes, ao consumo irracional de recursos naturais, à injustiça social, às relações entre dominadores e dominados.  O que Gandini não oferece é a pista para uma saída segura. Assim, escapa à pretensão das soluções fáceis e coloca a solução do impasse sob a responsabilidade de cada um.

Fonte: http://www.cineplayers.com/critica.php?id=1453

Sylvio

Comente sobre o Tema, e aguardem em breve nossas considerações na postagem da próxima Reunião. Consumir é preciso?